medo da exposição
ah, como é bom o gosto dessa impropriedade! a sensação de amarrar as pontas e perceber que seu desenho nada, ou muito pouco, tem a ver com os que rodeiam embebe a vaidade. uma vaidade carregada de gosto amargo, de resignação conturbada, pois quem há de dizer que não resisto a essa vereda? eu tenho comigo que são tantos momentos de significantes dispersos pelos humores partidos que traçar um bom caminho de volta, ainda que possível, não é fácil, simples, objetivamente processual. carrego todos os medos da exposição…
eu não estou me sentindo bem. parece que peço por um milagre, parece que grito por uma intervenção. que corra o cavalo alado no último ato antes de me cruzar a flecha pelo peito a levar-me pelo panorama dessa guerra de mim contra o tempo. e não, não, a música não é confortante. ela apenas parece portar uma energia que simboliza a estranheza que se resolve em fascinação pela alteridade. agora mesmo, ao prostrar-me em ação, contra passadas de absorção, eu apenas rememoro que a melodia me coloca com meus distintos tempos, mas não apresenta força pra solução de nada.
de nada. pois já sei tudo o que tenho de fazer. não há quem a me dizer ou coisa semelhante, que o pareça. eu viajo se creio que tenho força o bastante pra mudar meus atos. assim como não bem me vejo, não creio em mim o bastante pra encontrar forças que me tirem dessa condição. e eu vou ficando mais cego, a medida em que me afundo.
estou esvaindo pelo poço… devagar, renunciando a vida pelos exercícios de vida. um homem de amostras, demonstrações, testes, o amor virtual. deixa disso, não é? viver a custa das decepções, da descoberta da incapacidade? nada foi de fato luta. e você não tem coragem pra lutar, mesmo. cala a boca e vá dormir, antes que invadam seu quarto os bárbaros, príncipe decadente!